Poetizar

De Opium E Jasmim

De Opium E Jasmim
Um mundo de poesias

sábado, 25 de outubro de 2014

Hoje te vi assim construindo, sem sentido, paredes toscas,
A tentar me convencer que chega o inverno
Numa sufocante e intrigante luta
Como se as horas vazias e tristes embalasse os teus sonhos
Com a voz embargada e rouca nesta labuta contra o tempo

 Estrutura é etérea, a vida é pouca
Os braços carregados de tijolos e de cimento

Relógios de afiadas pontas confundem os teus pensamentos,
 Uma laje é frágil, o telhado range
Das paredes delicadas a lua espia
Sofro, exposto ao frio que vem com o vento,
Luto por que me sinto oprimido e mas te sustento
Por que trago o teu coração à minha alma aprisionado
Aceito os assombros e sem argumentos


Deito, acomodo-me e durmo 

sábado, 11 de outubro de 2014

Percepção

Acelerei a conversa para me ver livre daquela súbita perturbação
Era tempo de percepção
Em lugares distantes
Uma mulher sossegada e um homem angustiado se deram as mãos
Senti a inquietação dos que rodam o bem querer
E desdenham os encontros,
Há uma estranha profecia que acelera a vida dos que tem pouco tempo
Quando se ama a vida correr,
Ou não
Só sei que os passos andam ao lado,
É mais aproveitado o prazer quando apenas os sentidos funcionam,
A exaustão das procuras é que encurtam as afeições
Dá-me um beijo dos mais longos,
Nada apressado
É tempo de sentir, nada de procura
Deixa a vida correr, fiquemos aqui,
Assim
Amando

Calados
Ciclo



No ciclo das coisas mutáveis,
Chega o outono,
Pedindo para mudar tudo de lugar
Volve a terra, replanta as mudas
Novas sementes que vêm
Tudo diferente, frescas as flores
Os perfumes ainda falam de ti
Não são as flores que não mudaram
É o meu olfato acostumado ao teu perfume,
Resume a opera das cores, da primavera chegada
Com alivio de novo, que as estações são as mudas do tempo

Mas o tempo não muda em mim as estações de ti.


Velhas promoções



De novo as velhas cartilagens rangem
As portas dos armários também
No outro dia veio a certeza que os olhos se perdem nos excessos
São tantos os sinais
São tantos apelos
As durezas das ruas
São necessárias, são reflexos dos atritos
Só estou disponível para você
Não brinque comigo, não tenho hora
São tantas as suas exigências
Descabidas mas, entretanto atuais
Dentro do contexto só me insiro assim
Sou o que sou, sem promoção ou desconto
Venha ver se te sirvo

Então
Tudo está certo agora


Ela foi embora
Esqueceu as sandálias no meu banheiro
A noite está calma lá fora
Acho que tudo está certo agora
Tudo parece inteiro


Colhi amoras,
Fiz oração
Escrevi um verso amassado
Não estava bom
Nada está bom,
Nada segue o rumo certo quando o certo não é que desejamos
Sentei na areia e bebi o mar
A noite chega esticando o lençol
Dou nome às estrelas,
Ocupar-me delas desfaz as incertezas,
Ela brilham eternas,
Não temem o tempo
Ando tão ocupado
Porque gasto tantas palavras sem sentidos,
Risco e rabisco
Sem dizer palavras
E as estrelas espiram
E me dizem: " isso não leva a nada"


Wilson Costa