Poetizar

De Opium E Jasmim

De Opium E Jasmim
Um mundo de poesias

quinta-feira, 11 de outubro de 2012


Aprisionado




Caminhei por teus caminhos,
Impregnado de ti
Sei que sou tua parte mais inteira
Mas aonde estás?
Pés feridos,
Corpo sofrido,
Nem o vento me sopra,
Nada é excesso,
Como gostaria
De bater a tua porta


Confiei meu coração sem esperanças
Agora aos pedaços
Sôfrego, naufraga exausto de duras penas
O fôlego busca sufocado das tentativas,
A aflição e a angustia flutuam
Carregando-me nas correntezas,
Dá-me a mão,
Busque-me nas profundezas do teu coração
Sou eu se me reconhece ainda,
Nada cobro,

Mas sei que sempre valeu à pena a busca

Olhe-me na estrada que foi nossa
Se na curva do caminho me encontrar sozinho
Pensa que não busquei ninguém,
Para que serve meu aprisionado coração 
Se não puder viver apenas de mais uma vez essa paixão?

domingo, 16 de setembro de 2012


Retorno


Consegui adiar a morte,
Mas não a velhice,
Embora as pernas resistam a seguir
Os meus olhos vêem longe
A loucura refinada,
Buscou caminhar sobre o horizonte
Nem sempre precisa,
Mas com as mãos dadas com a sabedoria
Amparada com o desejo de acertar
Ela me levou ao imprevisível
O impossível foi tentado
A felicidade foi viver,
Conhecer, experimentar
Saber
Só que não sei nada
Sinto a vontade de ficar,
O desejo de continuar,
Só que a vontade é uma forma de argumentar,
Não de acontecer
Sei que preciso ir
Mas espero um dia poder voltar




sábado, 15 de setembro de 2012


Garrafa de Naufrago



Esses meus versos são como uma garrafa de naufrago
Lançadas às ondas da vida
Que embora sem destino certo
Saberão aonde chegar
Segue nela tanto de saudades
Tanto de esperanças
Um grito de clamor
Atravessando o mar
Grito alto, longo e profundo
Para que alguém os tome
Ditos aos ouvidos do mundo
A quem queira escutar
E seguem também para você
Que não seja em vão a quem se destinar
Que não sejam inúteis na minha tentativa
Que tenha voz nas calmarias
Que seja insano para quebra as barreiras
As tempestades os delírios dos náufragos
Delirante para que veja além das expectativas
Que atravesse persistente o universo
E que cheguem nos céus e aos infernos
Ou nas profundezas do mar
Nos limites dos concebidos
Com as intersessões do ilimitado
Que siga muito além do nada
Nos indefiníveis confins do ser
Para lá dos confins do amar
Ele tem um objetivo enfim
Para que longe, mesmo em teus sonhos
Saibas que eles são teus
E que foram escritos por mim




Vaso Chinês


Hoje a saudade chegou silenciosamente
Deixou o meu  coração partido
Vaso chinês despedaçado em mil pedaços
Olhos ardentes
A fixarem-se nos meus
Silenciosa dor que não perdoa
Silvo de serpente
Agindo em mim
Hipnoticamente
Como se tudo fosse
Como se fosse o nada
A se espalhar entre as contas
Fere e oculta
As presas
Que me sangra e vaza
Sem delatar
Olhos de serpente
Que atordoa minha mente
Nem sempre posso reagir
Ou consigo enfrentá-los
Às vezes deixo-me ferir
Outras simplesmente me sento
Olhando os cacos
Depois me ponho a junta-los


Afogada


Dorme enquanto espera
Que o sonho possa acordá-la
A viagem em braços estranhos
Não te levam a nada
Peça que o desespero não seja
O teu parceiro de jornada
E o teu companheiro constante
E que a tua alma lavada
Nesse oceano de prantos
Não morra afogada


Wilson Costa

Aprendendo a sonhar

  
Dormia serena, sem culpas, sem dor sem penas
Dormia como quem dorme um sonho apenas
Doce seu semblante, suave seu respirar
Dormia independente de o mundo girar
Dormia menina aprendendo a sonhar

 Wilson Costa

sexta-feira, 14 de setembro de 2012


Se você deseja um relacionamento amoroso, então deve se esquecer de toda a política do poder. Você pode ser simplesmente um amigo, sem tentar dominar o outro nem ser dominado por ele. Isso só é possível se você tiver um certo estado meditativo em sua vida.
Do contrário, não é possível. Amar um ser humano é uma das coisas mais difíceis do mundo, porque, no momento em que você começa a mostrar seu amor, o outro começa a entrar num jogo de poder. Ele sabe que você está depedente dele, ou dela. Você pode ser escravizado - psicologicamente, espiritualmente -, e ninguém quer ser escravo. Mas todos os seus relacionamentos humanos se tornam escravidão.
O amor precisa de uma clareza de visão. O amor precisa de uma limpeza de todas as coisas feias que estão em sua mente - inveja, raiva, o desejo de dominar... 
Homens e mulheres precisam viver juntos na terra, mas não aprenderam a ficar juntos sem perder a individualidade, a ficar tão juntos a ponto de ser quase unos, sem perder a identidade nos afazeres mundanos....Osho

quinta-feira, 13 de setembro de 2012


Saudade fresca

  
Cheiro de terra molhada
Tinta caiada nas paredes da alma
No meio do silêncio havia a chuva
O mato curvado
O córrego
As formigas carregadas
O vento
O girassol perdido
A vida afogada

O azul que era azul
Agora era cinza chumbo
Pesado
A goteira caindo no prato
A faca e garfo postados
Um de cada lado
A umidade a enferrujar os fatos
No vidro embaçado

Disfarçada a história
Quantas manhãs foram levadas
Quantas tarde varridas
Para construir esse momento

Espanta -me a natureza
Das coisas passada
Memórias deturpadas
Alterando o presente
A força da tua beleza
A chuva arrasta a miséria
Mas não me lava a alma

Ah! Que saudade!
Quando você não está

Wilson Costa





O sangue de baiano não corre, escorre....
Baiano sai de cena...não morre


By Wilson Costa Baiano

Viuvez


Ele partiu 
Ainda é viva a viúva
Viúvo é quem parte
Em cada parte
Há uma parte que fica
E outra parte que parte
O viúvo é a rosa que murcha
A viúva é a rosa que se abre




quarta-feira, 12 de setembro de 2012


Profundo Amor

O meu amor é tao profundo
Tão profundo
Que nem é deste mundo, nem do outro também
É de mais além....
De mais além

Wilson Costa



terça-feira, 11 de setembro de 2012


Hoje eu quero solidão


Hoje me perguntaram
Porque não fiz poesias
Porque não fiz versos
Porque não escrevi palavras
Porque não escrevi nada

Hoje...

Não quero marcos
Nem referências
Quero estrada vazia
Sem margens
Sem postes
Sem nada

Hoje...
Não quero cinema
Televisão
Hoje não quero imagens
Não quero visão
Não quero ver nada
Hoje não quero ficar sentado na praça
Não quero sol entre as arvores
Nem flores
Nem pássaros
Nenhuma lembrança que te traga
Quero apagar de mim a memória
O pensar
A história
A imaginação

Hoje...
Quero ser solidário a mim 
Hoje que adormecer entre o que não há
Quero o nada
Quero a ausência de tudo
Uma forma de esquecer
Quero dar um descanso ao coração
Hoje, eu só quero ser só
Hoje eu só quero solidão 

Wilson Costa

Segunda Pele


A poesia é a minha segunda pele
Diz minha filha que eu faço poesia até com a morte
Sorte minha então
Que se um uma dia ela me chegue
Que eu verseje para ela por dias a fio
E a convença a partir,
Sem me levar

Quem sabe então fiquemos a conversar
A discorrer sobre a vida              

Sobre o amor que jamais morre,
Sobre a alegria que valoriza a existência

Podemos falar abobrinhas,
Sobre minha coleção de recortes
De borboletas e de botões
Sobre viagens, futebol
Sobre a profunda agonia de esperar pela extinção

Falaremos sobre gente, filosofia
Sociologia e preservação
Sobre a eternidade, sobre jamais ter que partir,
Quem sabe ela sorria e eu sorria também

Quem sabe até ....
Falaremos de poesias

Wilson costa


Acesso


Hoje foi o mar
E ontem as montanhas
Mas são tantas
E tantos os lugares
A emoldurar suas lembranças

Campos, fazendas estradas
Todas tenho aqui
Na memória

Muitos mega-bits
Mas nem preciso digitar
Não preciso
Eletrônica
Celular

Todas tão somente minhas
Que só me basta
Com um toque
Acessar 

Wilson Costa

segunda-feira, 10 de setembro de 2012


Sábios


Calo a minha boca
E fecho os meus olhos
Há na face da vida muitos desfechos
E são vários os caminhos
Muitas as avenidas da busca
E muitos os atalhos de fuga

São poucos os que nunca choraram um amor
Ou que não trazem nos rostos os vincos e as rugas
Da saudade e da dor

Há os que gritam atormentados
E os que sofrem calados os seus temores
Há os que encaram os seus medos de frente
Há os que vivem perdidos em busca de alguém
Há os que choram os que já partiram
E os que vivem eternamente sozinhos
Há os que plantam e nunca colhem
Há os que semeiam o que nunca têm
Há os que nunca estendem as mãos
Mas há os que não tendo as mãos protegem e acolhem os que as têm

Sábios são os olhos que conseguem ver a própria alma
Aqueles que calam as palavras que não precisam dizer
Os que purgam as dores dos desejos desnecessários
Os que caminham descalços pela estrada do escárnio
E riem de si mesmos

Quando descendo da tua face ferida as lágrimas que curam
Não guarde no peito o fel que corroerá seu próprio ser
E que não tendo o necessário divida o pouco que possua
E não traga no rosto o riso aflito por não ter na alma a
alegria pura...
De saber viver

Wilson Costa

Amor para toda uma vida



Veiculo da vontade de ti
Sou teu homem
Mas às vezes secreta
A mulher que caminha nua
É descoberta em todos os seus momentos
Visagem que me visita como a luz da lua
Feita de desejos, sentimentos
Quando se expõem
Vida que segue minha vida
Que na face apesar dos anos
Sorri menina atrevida
a brincar com a trança
Que não possui mais
e eu que envelheço a cada passo
Tenho-te como a natureza
que se renova a cada hora
fonte viva, doce sonora, reviva
Amor para toda minha vida
Amor que parte
Mas nunca vai embora


Wilson Costa

Alma Gêmea

 


Mesmo que eu nunca te percebesse
Estarias, ainda assim
Pulsando em mim
Mesmo que assim correndo calada
Percorrendo as minhas veias
Até o meu peito atingir

Mesmo que assim ausente
Sem tempo e sem hora
Mesmo que em meu leito deitada
Assim como agora
Quando não estás

Ainda assim a minha alma te sente
E eu te sinto de fato
Quando me ocorre
Um pensamento que me faça te  ter

Na silhueta que me  foge
Sem pressa
Por não querer me deixar
Ou quando a vida me apressa
Na ânsia de te alcançar

E mesmo que não sentisse mais nada
Ainda assim te sentiria eternamente
Como a única  expressão do meu ser
E mesmo que no mundo não houvesse mais nada
Ainda assim te  sentiria para sempre
Verdadeiramente
Como a única  forma de viver

Sinto-te miragem,
Sinto-te amante.
Perfumada de Opium e Jasmim
Sinto-te assim, muito embora  distante.
   Tão pertinho  de  mim

Wilson Costa

Rio Inverso

 Nasce nos braços tempo
Uma manhã sem pressa
Adormecidas no colo da noite
Todas as preces perdidas
Que purgam da vida
Saudades mal-sã
Vazam feridas

Gotas de magoas que sangram
Como contas de orvalhos vermelhos
Personagens perdidas
Nos pedaços partidos do espelho
Essa espera sentida
Sustenta e suga o próprio ser

Remédio que amarga
Que alimenta a alma
E que enquanto cura
Mata

A razão do que nos faz viver
É um rio do amor que se perdeu
Mas que continuo correu ao inverso
Mas que chegou tarde
Para dentro do nosso eu

Como o trem da vida que parte
E na chegada soube
Que o coração morreu



Livre expressar



Há nas coisas que escrevo num silencio e tanto
E quanto mais eu escrevo
Mais se evidenciam
O quanto

Esse silêncio mortal
Insiste em me calar
Ele me fala das coisas que não devo falar
De sorriso de ausência
De lábios que nunca puderam pronunciar
Uma palavra sequer de amor

Mas é por esses que escrevo
Por esses que mesmo amando em silencio
Nunca deixarão de amar
Por esses que mesmo sufocados seus desejos
Ainda haverão de crê no amor

Escrevo por esses que em palavras vazias
Não souberam construir seus enredos
Escrevo por quem de mim quiser um poema
De amor verdadeiro ou uma cópia autentica

Ou que queriam sentir por um momento o que é o sonhar
Por aqueles que repletos de sentir
Tomem de mim esses versos,
E que por eles possam exprimir
Aquilo que eu de fato
Nunca soube expressar

Wilson Costa

sexta-feira, 7 de setembro de 2012



Tudo está certo agora


Não vá embora antes que eu morra,

Não parta antes de mim

Ela foi embora, mas...
Esqueceu as sandálias no meu banheiro
O secador ligado e o diário sobre a cômoda
Um beijo sem ser dado

Sei que ela volta

O noticiário fala do dia de amanhã
Tudo parece inteiro
A noite está calma lá fora


Acho que tudo está certo agora


Wilson Costa 

quinta-feira, 6 de setembro de 2012


Ai! As tuas mãos.....

                                                                                                                                               
As tuas mãos me fazem promessas
A procurar os meus botões

As tuas mãos me perseguem mais que os teus olhos vorazes
As tuas mãos me ardem
Mais do que o sol de verão

As tuas mãos me mordem mais que os teus dentes me ferem
As tuas mãos me comem mais que a tua boca me tenta                     
As tuas mãos me penetram mais que o teus desejo
me adentra

As tuas calmas mãos às vezes têm pressa
Outras não...

Algumas vezes me lambem mais que a tua língua em enxame
Às vezes deslizam como serpente sem pressa
As suas mãos sempre me dizem  o que você não sabe dizer
As mãos se expressam muito mais que você


As tuas mãos me consomem... as tuas mãos sempre me querem
As tuas mãos procuram os meus peitos, com a acarinhar meu coração
As tuas mãos me querem mais que às outras mulheres
As tuas mãos não param nem quando os meus anseios se esgotam

Ai ! As tuas mãos....

Sempre postas me pedindo perdão

Wilson Costa



Apesar


Se tu queres em meus braços buscar o sono
Deixe lá fora as sobras do dia,
Não precisaremos das palavras,
O dia foi farto em ruídos
Deixe que o silêncio se irradie pelas coxias
Do teatro dos desesperados

Que chamamentos dos que não têm ninguém
Seja o ultimo ato
Do choro aflito dos que perderam alguém
Que no nosso ninho de amor não haja a culpa
Por não acolher a todos
Sou tanto nesse momento em que me dou
Que a divindade da tua presença
Será a plenitude de todos os amores

Que não haja a possibilidade de um grito de rancor
 A tua entrega a ascendência das marés
A vazante das dores

Nas ondas do mar
Que apesar dos males do mundo
Eu adormeça em seus braços em um segundo
Egoísta e pleno, cansado,
Depois de te amar