Poetizar

De Opium E Jasmim

De Opium E Jasmim
Um mundo de poesias

quarta-feira, 28 de setembro de 2016

A qualquer momento eu te conto mais,
Pergunta-me qualquer coisa que quiseres saber,
Às vezes, digo tolices, coisas descabidas,
Sem razão de ser,
Sou assim, um mistério indecifrável
Mas, sou simplesmente eu,
Se olhares nos meus olhos eles te dirão
Qualquer coisa que queiras saber,
Saberás sem que eu precise, necessariamente, te responder..

Wilson Costa 





Retorna aos poucos do oceano as gotículas
Sou também, assim, um oceano dividido,
Fomos separados pelo vento, em milhões de pequenos pedaços
Mas não estamos tão afastados;
Considero a coesão de tudo, a energia que flutua entre cada espaço de tempo
As horas que não nos podem levar os sentidos,
Que não pode nos carregar assim para sempre;
só tenho de ti coisas boas, parecem poucas, mas são tantas
Não seja inquieta – o espaço – não é dono de ti
Eu te conheço mais, eu a cortejo em um abraço, ainda que distante

Filho da terra e do oceano, todos os dias eu te contemplo no ocaso.

Wilson Costa 
Às vezes alguém fala com a voz do amor,
Outros chamam os amores sem retornos;
Mas, não há amores sem retornos – Diz-me
Os ciclos em revolução ampliam os sentidos, cadê você
Que me traz sempre a pergunta sem respostas?
Em seu amplo movimento dos braços,
Os abraços me trouxeram o amor outra vez,
Amoroso, maduro – tudo belo para mim – tudo extraordinário;
No entanto, escrevi estas canções.
Aos jardim do mundo, renovado em ascensão,
o amor toma a vida e nos dá outra vida a mais,
Floresce nos corpos, sentido,
Curioso, admira a minha ressurreição, após o sono pesado;
Meus membros, e o fôlego trêmulo que folga dele, pelos mais maravilhosos motivos;
Existo, e perscruto, penetro ainda mais profundamente, feliz
Eu poderia morrer vez ou outra em teus braços agora,


Sussurrando  que fiz apenas uma breve viagem

Wilson Costa




Há tantas guerras e futuras batalhas, todas feitas de mortes e soldados,
Enquanto eu pondero no meu silêncio,
Reescrevendo sobre antigos poemas,
Demoro-me, em frases desconfiadas,
Um ligeiro abandono,
Donde fantasmas assomam diante de mim,
A essência da beleza, ainda resiste à idade,  
O poder pisas nos poetas, esmaga os poemas, aniquila as ideias soltas,
Mas a palavra ela brota de antigas terras,
Viceja graciosa ante os olhares feitos de chamas,
Com dedo apontado para os corações livres
Para muitas canções imortais
E a voz ameaçadora, cala,

Para ouvi-la melhor

Wilson Costa
Agradeço o acolhimento, mas a estrada me chama,
Já padeci de tantos fins
Já fui tantas folhas caídas,
Já recolhi tantas almas penadas,
Há algo estranho num estranho?
Só quando o coração é de pedra,
O amor ricocheteia, a alma pinga
Faz tempos que eu não sei sobre o amor,
Ele já não passa livre, como antes,
Com sua alegria retumbante
Seus ares de bom moço,
Perdeu as asas, e o canto amigo, ficou sem graça
Quando vira saudades vai impregnado nas paredes da gente
Dentro, deve estar escondido em algum canto escuro de mim
Você conta as minhas saudades no olho,
Você deve saber a quem eu procuro,
Saudades eu não as nomeio,
Vivi com certeza uma vida alegre com você em algum lugar,
Tudo é relembrado com relances,
Você cresceu comigo, perdeu as penas nas correrias da vida,
Em algum shopping, algum supermercado,
Com preço marcado e etiquetado com códigos de barras,
Eu dormi com você – seu corpo se tornou não apenas seu,
E nem nunca mais me deixou em paz
Assim caminho, a estrada é longa, sem delongas me despeço
A vida é assim mesmo, eu já fui tantas coisas,
Já fui vinda e já fui partida
Chegada e despedidas,
Já padeci de tantos fins

Hoje sou recomeço

Wilson Costa

quarta-feira, 21 de setembro de 2016



Atravessou o céu, entre as formas do escorpião e da serpente
A luz de cristal florescendo em teus cabelos o sol,
E plantarei verbenas,
Sorridente menino, de olhos admirados,
De folguedos e paixão,
Quando de tudo cansado da vida, a ti, ainda, amarei mais,
Transcendendo os meus rostos diferentes a cada instante
Das minhas mãos ofertarei de mim muito e novamente, e sempre
De tudo que houver de mais e melhor assim, feliz, será de mim presenteado.
De muitos cantos o meu coração se alegrará e será tomado
E desse amor ilimitado, o infindo será tão pouco para te amar
E viver
E quando desse afeto, tudo em mim jamais houver cessado,
Doarei mais de tanto de infinita e de exacerbada ternura
Que em minha alma será marcada,
Por toda a eternidade
Com o teu nome,
Amor

Wilson Costa



Fome de amor



É um sinal que busco,
A dor é uma coisa estranha
O gato lambendo o pássaro,
Um abraço apertado no peito descarnado,
Porque não trata, mas não querendo fazer mal faz
Abençoa o coração partido com água benta,
Recita novena alimenta o mal que te condena
Porque se faço mal é por querer-te, eternamente
Ponto perdido no nada, sem sinal de descobrimento,
A carne e o sonho, desordenadas nos compassos da melodia
O voo por sótãos e porões
Cair rolando dos céus aos infernos
Pelas escadarias de tua alma.
Deixa-me errar, dando-te a mão,
Perdido já estou nesse tênue fio de alegria
Dos gestos que se repetem sem ser,
Enquanto magia houver de amor,

Alimentar-me-a de fome a dor
Todas as tentações, todas as sensações.
Sinto que estou desprotegido
Sei tudo da tua pele
Esse muito que é o milagre do teu sorriso
Nos teus braços estou ungido
Quem inventou o amanhã?
Se a realidade é agora
Esse tanto de saudade
É a tua boca de outrora,
Essa querença que aflora em mim
Doido perceber esse tanto de afeto,
Esse dia finito

De quem só queria ser eterno 


Wilson Costa

E, fatalmente, as esquinas estarão por ai para nos cruzarmos,
Os cafés quentes de sempre e os olhares desviados, o mais de tempo calados
As emoções imensas que as palavras não saberão descrever
Mas são sempre tantas esquinas,
O jantar desmarcado
Diremos do tempo, das amenidades, mas não das saudades,
O coração quase gritando de tantas delas,
O seu cabelo que está mudado, voltaram os cachos
A sua expressão dos olhos escondendo um ar de surpresa
Você está tão mais bonita,
Nos não estamos juntos, mas nos ajustamos,
E eu me pergunto
Como as coisas se vão e a gente não?


Wilson Costa


segunda-feira, 19 de setembro de 2016

Não gosto de conversa rasa, quero mergulhar mais fundo, eu quero falar sobre realidade quântica, átomos, vida e morte, chegadas e partidas, sobre encontros, os alienígenas, sexo, coisas mágicas, duendes, gnomos, reptilianos, intelecto, o certo e o errado, via láctea, galáxias distantes, música que mexe conosco, que marcaram, contar histórias,  memórias, verdade e mentiras de nossas trajetórias, os nossos defeitos, sobre perfumes e cheiros, a nossa infância, nossas certezas mais profundas nossos medos e nossas emoções mais puras...

Wilson Costa



domingo, 18 de setembro de 2016

Afinal, teria valido a pena?
Após a chuva, o frio e o calor insuportável vieram as perguntas
Sobre o que ficou, as xícaras, a geleia, o chá,
Entre porcelanas e algumas palavras caídas sobre a mesa
Misturadas aos residuos de pão,
Como migalhas aos pombos
Que disseste,
Teria valido a pena?

Poderia ter cortado o texto com um achincalhe,
Um deboche, uma ironia sonsa,
Cortar o assunto com um ponto (final)
Mas afinal teria valido apena?

Diria eu que me perdi pelas vielas do teu amor,
Coisa corriqueira, sem muito glamour,
Isso só me trouxe mais solidão,
A penumbra sim me entendia mais
As lagrimas a se desprenderem dos olhos sim, diziam mais,
O sorriso adormecido no canto da boca era mais amigo
Dos homens solitários sou o mais só.
Quem sabe o mais amargo
À janela debruçado
Jogo pedaços de poemas e de vida
Os pombos não agradecem,
Pena
No arrulhar festeiro
Há o amor espalhado e o dom de sentir
Entre as migalhas de milho pelo chão,
Acho que dizem que valeu a pena

 Wilson Costa









Você retorna sempre para me contar sobre o dia,
Não espero, não tenho tempo, vivo de uma insônia sem hora
Mas não adianta, você é como o sol que se levanta cedo,
Ainda a madrugada nem desfeita e você se aproxima
Saída dos sonhos, das noites mal dormidas,
Para atentar mais a minha vida
 Esgueirar-se pelo fundo do quarto, pelas frestas fechadas,
Pelas venezianas
Comprimindo todo o meu universo  num mundo só seu
Sou arremessado ao vértice da realidade e da imaginação,
Sou louco, ah!  Suprema indagação,
E você sorrir feminina, vestido justo e decotado,
Como se eu fosse o seu melhor confidente  
Retorna para tudo me contar, tudo vos contarei
Dias e noites, dias a fio
-E eu ponho na cabeça um travesseiro,
E continua a ladainha , desculpa,
Não é absolutamente isso o que quis dizer
Após o ocaso, as ruas vazias o silêncio dos carros,
O quintal empoados de ócio,
Após as novelas e a tardeza da noite
Queria eu sem forças jogar-me à cama
Depois de ter jejuado, me penitenciado e rezado,
Você não me deixa



Wilson Costa
A noite é morena e o dia usa os seus cabelos encaracolados e faz fuxicos
Brindam sorrisos em forma de olhar meio tímido, brejeiro, matreiro
A costurar cada pedaço de tecido unindo versos
Posso comprimir tudo num universo de dentes alvos de porcelana,
Mas, há tanto mais...

Diria eu que muito caminhei que estou para ver alguém como ela
Sob a penumbra das estrelas,
Debruçado da minha janela
Já pulei o parapeito para vê-la de mais perto
Pelo silencio de nada saber dizer,
Deixo-a silenciosa passar – Ela é o poema a poemar
Mas, há mais, tanto mais...


Se sou poeta tenho olhos de ver mais,
Mais dentro, mais no olhar, mais no coração,
Percebi quando a brisa levou seu sorriso para alegrar as crianças,
Quando a beleza brincou com a sua grandeza,
E vi o eterno ampliando seus braços num abraço de tê-la
Sobretudo.
Enfim,
Como vale a pena brincar de vê-la

Mas, há tanto mais...

Wilson C
osta


Eu já conheci os abraços, a todos conheci
- Cândidos e desnudos braços
Percebo vozes que falam dos lugares perdidos dentro de nós,
Somos e seremos sempre mais do que somos,
Temos desatenções, falhas de percepção, 
Sei
E já conheci alguns olhos, a todos não conheci como os seus
- Os olhos que dizem sem precisar falar
Que me diziam palavras de força
De ajuda, de me dizer - Sei quem é você,
Acredito, pode chegar mais perto,
Pode ficar,
Não há formas, apenas deixe os canais de sentir abertos
Sei da vida o que me contenta e me acrescenta,
Dos perfumes dos seus vestidos,
Dos floridos dos seus cabelos,
A penugem do seu rosto,
Sei algumas coisas de você
Sei
As lembranças repousam no papel,
Os braços sobre a mesa contam saudades,
E ainda assim me atreveria a dizer que sei muito mais do que escrevo
Só não sei por que divago tanto.......
Era preciso decisão, era largar tudo o que havia,
Todos os que eu conhecia e recomeçar
- Sei dos crepúsculos, das manhãs, das tardes,
Mas me perdi...

Como me atreveria então perdoar-me?
Perdão é coisa para os fortes,
Medi a minha vida em conta-gotas;
Tomei o fel às talagadas, às colheradas
Vivia então a dividir tudo em bom e mau
Para mais tarde começar eu a cuspir as partes amargas

Nos perdemos quando achamos saber tudo,
Preciso começar de novo, tudo de novo

E a parte boa?
Vem à tarde com o crepúsculo que tão docemente adormece
Por longos dedos alentados,
Entorpecido, esquecendo qualquer dor,
Exangues, deixei de me fingir enfermo,
Os olhos não estão mais fundos, a amargura já não me absorve,
Lá no fundo estirada
Após o chá, os biscoitos, os sorrisos,
Tudo se acalma
A vida de novo continuada




Wilson Costa
A tua soberba esbarrou no minuto,
O meu orgulho também, a pluma se apruma no ar
- Ousarei
Perturbar o universo
Um minuto depois já não era,
Em um minuto apenas há tempo, diz o poeta
Mas, há mais, há perda,
A bala que sai da arma,
A preguiça quer morrer,
A dor que vaza,
O grito que mergulha nas ondas
A bruma da tarde que some
O dedo que dói
A alma lavada
Eu perdido na rua
Em muitas vezes não há nada, simplesmente nada




Wilson 
 Costa


Seguir ao longo do tempo,
Para bem distante, longe do que não nos serve,
Enquanto o poente se estende entre nuvens laranjas
Já houve tempos de estradas ermas, de ruas ermas, de vida erma,
Escrevo agora preenchido de mim,
Passo o dedo na vidraça e o ar embaçado do frio escorre
As palavras colam na parede, gritam, falam, cantam gemem
A minha língua experimenta o crepúsculo,
Saboreia o doce dos amores, pão com manteiga
Café com açúcar com cedilha, o sal das dores
Se os olhos falham a alma vê
Você desliza furtiva entre as frases,
Elabora forma de se ocultar, em vão,
Pode até ser interjeição, ponto e virgula ou interrogação,
 Sei por que você se esconde de mim,
Sei mais, ajudo-a a se camuflar no meu peito,
Dor sem graça, sem méritos, cúmplice, covarde
Que se enrodilha ao redor da casa e fica gotejando no telhado
E eu penso que na verdade o tempo tudo haverá de resolver,
Há de me fazer parar de roçar a minha barba
Nas miragens das suas espáduas,

De te seguir em cada um dos poentes que se estende no céu


Wilson Costa
E a saudade ficou sem nome
Todas as declarações de amor parecem precoces,
Não houve tempo para saber o que queríamos
O disco, talvez, você o ouça
Ainda o tenho, ouço de vez enquanto, não sempre, para não gastar
Escrevi para você um poema,
Musicar a alma, como quem toca uma canção de amor.
Talvez um dia o ouça no rádio… mas no meu coração ele toca todos os dias.
Há dias sem dias, sem graça, como eram suas tranças despenteadas e você desinteressada de mim,
Dizia eu menino chateado, achando-me homem - Menina feia.
Eu já andava a namorá-la, fazia tempos,
Comprei o nosso disco na loja da esquina, para ouvir todos os dias sem parar,
Estava sem grana, fiquei dois dias sem almoçar,
Feliz coincidência você estava na mesma loja
 Comprava o mesmo disco,
Assim contando, tudo parece simples,
Fiquei ali plantado literalmente
Qualquer coisa que eu dissesse não seria suficiente, naquela hora
Fiquei ali parado suspenso no ar, fora do chão, levitando
Será que é preciso um nome para amar? Foi a única coisa que me deu pensar
Não sei nada do tempo, essas coisas de lembranças, saudades,
Quando você sumiu, olhei em volta desesperado,
Tudo sumiu junto naquela hora, o trânsito, as cores, os sons, a minha alma falhou
 Não houve tempo para saber quem éramos,
Não voltei a saber de você a não ser nas lembranças,
Passaram-se meses, anos, agora homem então.
Fiz poemas  suspirando sentimentalidades constantemente
Até papel amassado dava poema,

Conto Publicado em 1972








Wilson Costa 
Eu não preciso impor à poesia o nome dela,
Sei que não seria possível construir o mundo justo
Se assim não fosse,
Um poema de águas lavadas, de rios claros
De ruas libertas,
Eu quis escrever um poema com o nome dela,

Pelo canto dos espaços e das fontes
O céu o mar e a terra ligados,
Saciando os compassos de rima 
E a nossa fome de querer

Uma devotada canção de continuação da eternidade
Com todos os dias de liberdades soltos
Na concha da flor aberta, no sumo do fruto, nas asas das aves
Nada a adoecer a própria forma de amar
Eu quis fazer um poema com o nome dela,

Verde, azul, como contornos de violeta
E no todo, que não fossem só palavras
A construir a forma justa de humanidade
De fidelidade às crenças de perfeição do universo 

Por isso escrevo a cada dia esse poema sem fim
Sempre começando com o nome dela


                                 Wilson Costa
Incomoda-me o teu olhar sem conversas, a tua boca sem saliva,
Ao teu inconformismo morto de fome,
A tua face sem nome,
Deito-me ao teu lado ajustando ao corpo quieto

Esse amor de pirilampo, que apega e acende em horas incertas

Wilson Costa
Está dito, o amor não será extinto,
Apesar do medo, extensão do terror,
Das rusgas,
Lobos? São muitos
Mil estrofes de mil dedos no gatilho,
A rima é pobre uiva de fome.
Mas tu pobre podes comer ainda a língua
A palavra na língua
Mas quero aquietar os meus mortos,
Acordar o mundo, na palavra escrita.
Lúdico sortilégio, poucos, porém,
Vamos juntar os pedaços, a lucidez dos poucos

Ainda acredito em reflorestar o mundo
Sementes de amor,
Falaram-me dos homens
Dos anjos, da humanidade,
Não vi nada que existisse sem dor
Vi homens em excessos, homens vários,
Desligados uns dos outros,
Separados dos fios do amor

Mas eu insisto o amor não morrerá jamais 
De onde vem a tristeza, da cabeça do coração ou da alma?
Amor de minhas entranhas, calma, alma minha, calma
De onde chama esse nome que eu não sei,
Do céu, das profundezas, das montanhas,
O mar reclama, calma alma minha, calma,
Em vão espero, e penso, com a flor que se murcha,
Pode ainda ser imortal, a pedra inerte
conhece o sol, mas não sabe da sombra
O peito chama o coração necessita
Rasgar o tempo passado, os efeitos negativos,
Rasguei-me as veias, expurgar o que sofreu
Entre o tigre e a açucena,
Enche, pois, de sentidos a minha tontura
ou deixa-me viver em paz serena
na noite da alma sempre escura
A minha comedida loucura

E a noite me responde, calma alma minha, calma


Wilson Costa 

Escrevi sem saber que imprecisas palavras queriam dizer
Entre as formas que nós tomam, passeia a serpente 
Indolente finge que não nos quer, 
Tem jeito de tristeza e olhos de mulher, 
Mas das formas se formam os cristais, 
Deixai crescer os seus cabelos, cobrir seus seios à picada mortal, 
Sem rotas traçadas a vida segue, o caminho você faz, 
Olha a sua mão, o que está escrito? 
O veneno não a matou, balançou de frêmitos o coração 
Acelerou e você não morreu. 
O amor não é fatal, As pessoas sim
Há pessoas raras diante de você
O tempo se abriu, 
Com árvore onde cada galho canta o que os pássaros ensinam
O menino brinca, a alma seduz, as palavras chegam imprecisas, 
Mas a música vale a pena ser ouvida, 
Se o amor não valeu
Assina por mim aquilo que de poema vem do céu.

Wilson Costa