Poetizar

De Opium E Jasmim

De Opium E Jasmim
Um mundo de poesias

terça-feira, 30 de agosto de 2016

Tomou-se o errado pelo certo, num segundo apenas,
O tempo se alterou, 
O coração murchou, a alma secou
Roubou-se a essência, 
Deixou a palha com se fosse a flor. 
Partiu não deixou nada nem nada levou
Wilson Costa Wilson





A imagem pode conter: flor, planta, atividades ao ar livre e natureza

Ao privilégio de chegar
— Eu aos portões do corpo
e aos portões da alma.
A mulher a temperar 
De sal e especiarias,
as qualidades e as graças
A movimentar-se, mãos, corpo e magia
em perfeito equilíbrio,
Todas as coisas devidamente veladas,
é ao mesmo tempo a olhar de esquiva o fogo
E este admirar ao mundo com a centelha que nos gera
Mais uma vez, novamente,
Assim assoma da natureza,
minha alma refletida,
assim como eu vejo além do nevoeiro da vida,
A luz, indizível plenitude
A beleza a que brindo,
com a cabeça aureolada inclinada, a luz a espargir dos dedos
A alma estendida e os abraços ofertados,
Abro os meus braços cruzados sobre o peito
E a recebo
Semente brotada do meu ser,
Parte encontrada de minha alma,

A imagem pode conter: 1 pessoa , pessoas sorrindo , óculos
Podes ficar sim, dizer, insinuar-se
Escrever dessa maneira pertinaz a nossa história,
Ponto a ponto, como quem costura ponto de cruz
Como quem circula pela casa,
Como quem é tão intima que pode deitar na minha cama 
Se alguma impertinência há,
Se fico soturno, no entanto,
Nada me incomoda,
O tempo de silêncios passa sorrindo
Brinca com as tuas luas e colhe os teus sóis,
Recolhe-se à chegada das tuas marés,
Ama como quem dança para mim,
Fazendo poemas
Cantando esperanças,

Tiquitaquiando

Do meu Livro De Opium E Jasmim

O seu coração está tiquitaquiando
Está precisando de ajustes,
Vem chega mais perto,
Deixa-me escuta-lo
A solidão às vezes aperta
Abre um vão em nossas almas
Encosta no meu peito quem sabe cura
Não é remédio
Quem sabe ajuda
Ecos ressonam, os murmúrios fazem troças, amor sem raiz é o descaso de ti, o fio fraco, a lua morna, a armadilha que sempre me pega,
A dança da luz e a sombra me dá o ultimato,
Há vida fora de nós dois
Há gozo na solidão, o que pode parecer mais saudável?
Ergo-me da cama antes do sol a procurar algum dia no dia que chega,
O problema?
Bom, o problema é que não há saídas possíveis para quem ama

Wilson Costa Wilson
Mudaram os nortes, o chão está duro
As pedras afiadas, os pés mais sensíveis,
E a jornada está desafiando o ser,
Quero adivinhar a que hora da manhã o ônibus passa
A vida me espreita, 
Visualizo os contextos vistos da janela quebrada
Há uma esfinge talhada em mistérios
Às constelações são os pontos de tempos parados
O amor é uma coisa abstrata,
Até cravar as suas unhas em minhas costas
Nesse riscar sagrado na umidade pura do chão
Mudam-se os rumos
As intenções, os corações e os ventos
Nas tendências de modas do mundo
O amor não passa desfilando












Ama-me, ainda há tempo, o amor sempre espera, 
Penso e sinto o nosso tempo sempre será agora.
A minha aspereza assusta tua chegada
Não sei dizer nada, não sei ser o que desejas, 
Não é falta de afeto, É falta de jeito
Sou brusco, tosco, rude
Mas tenho sonhos e gestos que espero desabrochar
Falta-me pouco,
Bem sei, quem sabe foi o tempo preso
Na minha própria textura
Ama-me.
Embora eu te pareça
Apenas transitório
Neste gesto de generoso desprendimento
Posso ser a surpresa que o teu amor espera
Wilson Costa Wilson
















Nossos corações são uma só oração.
Somos, os dois, uma só casa,
Tão ampla, de quintal de muitos alqueires, para deixar livres os nossos passos,
Para manter viçosa a sua juventude
Para encher de flores e mimos colhidos dos nossos jardins, 
Mas, temos asas dadas a altos voos,
E certezas nenhuma, só a da capacidade de nossas integridades
Não precisamos ver para sabermos da existência de outras estâncias,
Temos muitos quartos formatados de desejos da plenitude de nos querermos,
Uma casa, de colunas e vigas fortes o suficiente para conter algumas ferrugens,
Nossos livros, nossos blues, alguns potes de doces caprichos
Uma varanda sem tetos, suficientemente arejada, para quando desejamos reviver um novo começo,
Nesse ato eterno de voltarmos para casa, de sabermos que podemos sempre voltar
Quando machucados ou cansados do mundo, onde sempre somos bem vindos
Um lugar só nosso para respiramos ar puro
Wilson Costa
Sou mulher do alto de minhas dificuldades
Tenho dias de perder os saltos,
Quedar-me das elegâncias,
Estranhar os meus ecos,
Tem dias que relampeio, 
Que sou redemoinho...
Que danço sem motivo algum,
Reinvento-me, com um vestido usado,
Laço de flores e novos sapatos,
Rodopio e volteio
Nada significativo, coisas de meninas
O sal dos meus lábios não perde o seu sabor ao se misturar às lágrimas
Pode virar mar
Nos meus olhos maquio olhares distantes
De ver para lá dos horizontes
Sempre acabamos nos acostumando com o oceano,
Aproveite a viagem de me conhecer,
Tenho amores em mim nada vulgares
Os ventos nem sempre são bons,
Mas, poderemos conhecer bons lugares
Wilson Costa
Ele escreveu um poema, rabiscado numa escultura de pedra, 
Feito de poucas palavras, mas de tantos sentimentos 
Que quem o lê
Sabe mais do que está exposto por fora, 
Consegue sentir e penetrar na alma da estátua 

Wilson Costa 

Meus olhos procuram você, em todas as partes, 
Mas os olhos não sabem nada sobre o tempo 
Wilson Costa Wilson
Tantos que em mim envelhecem
Ainda ousam me mostrar quem eu sou,
Outros de mim são reflexos, riem da luz que eu emano
Esses desconhecem o tempo certo de ser,
Envelhecem antes de nascer, 
Adormecem meninos e acordam nenês
Eu, entretanto cuido de todos eles,
Dos que envelhecem sem mim,
E dos envelhecem em mim,
Sou assim, homem-menino,
Morro se não me atrevo a crescer
Se atraso o meu crescer, me perco de mim
Sou assim tantos que enfim,
Alguns, ainda, eu sei, desconheço,