Quando ela partiu
Deixa pulsar depois da partida
O novo ser que há de vir
Se há de ser melhor ou pior só caberá a ti experimentar
Lança-te como um punhado de cinzas ao vento
Deixa o som que emana do universo
Preencher teu coração
Deita a cabeça na noite e ouça as estrela
Se ainda ecoa em ti o nome dela
São flores dispersas da despedida
Elos partidos
Perfumes que ficam
Depois da partida
Depois há de vir um vazio
Tentando trazer a lucidez
Tornar matemático aquilo que é somático
Essa clareza da realidade é o risco
É quando damos cem passos atrás
Tentando defender nosso peito atingido
Depois de algum tempo
Podemos olhar o espelho
E ver nosso rosto desfigurado
Numa prece matinal antes do café amargo
Podemos pedir a Deus que nos conceda
Poder coexistir de modos possíveis
Uma parte de ti será linguagem
A outra amargura solidão
Uma parte será permanente
A outra não
Uma procurará ocupar-se
A outra traduzir
Uma seguirá órfã infeliz da outra parte
A outra buscará preencher de novo o coração

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