Era preciso decisão, era largar tudo o que havia,
Todos os que eu conhecia e recomeçar
- Sei dos crepúsculos, das manhãs, das tardes,
- Sei dos crepúsculos, das manhãs, das tardes,
Mas me perdi...
Como me atreveria então perdoar-me?
Perdão é coisa para os fortes,
Medi a minha vida em conta-gotas;
Tomei o fel às talagadas, às colheradas
Vivia então a dividir tudo em bom e mau
Para mais tarde começar eu a cuspir as partes amargas
Nos perdemos quando achamos saber tudo,
Preciso começar de novo, tudo de novo
E a parte boa?
Vem à tarde com o crepúsculo que tão docemente adormece
Por longos dedos alentados,
Entorpecido, esquecendo qualquer dor,
Por longos dedos alentados,
Entorpecido, esquecendo qualquer dor,
Exangues, deixei de me fingir enfermo,
Os olhos não estão mais fundos, a amargura já não me
absorve,
Lá no fundo estirada
Após o chá, os biscoitos, os sorrisos,
Após o chá, os biscoitos, os sorrisos,
Tudo se acalma
A vida de novo continuada
Wilson Costa

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