E a
saudade ficou sem nome
Todas as
declarações de amor parecem precoces,
Não houve
tempo para saber o que queríamos
O disco,
talvez, você o ouça
Ainda o tenho,
ouço de vez enquanto, não sempre, para não gastar
Escrevi para você um poema,
Musicar a alma, como quem toca uma canção de amor.
Talvez um dia o ouça no rádio… mas no meu coração ele toca todos os dias.
Há dias sem dias, sem graça, como eram suas tranças despenteadas e você desinteressada de mim,
Dizia eu menino chateado, achando-me homem - Menina feia.
Eu já andava a namorá-la, fazia tempos,
Comprei o nosso disco na loja da esquina, para ouvir todos os dias sem parar,
Estava sem grana, fiquei dois dias sem almoçar,
Feliz coincidência você estava na mesma loja
Comprava o mesmo disco,
Assim contando, tudo parece simples,
Fiquei ali plantado literalmente
Qualquer coisa que eu dissesse não seria suficiente, naquela hora
Fiquei ali parado suspenso no ar, fora do chão, levitando
Será que é preciso um nome para amar? Foi a única coisa que me deu pensar
Não sei nada do tempo, essas coisas de lembranças, saudades,
Quando você sumiu, olhei em volta desesperado,
Tudo sumiu junto naquela hora, o trânsito, as cores, os sons, a minha alma falhou
Não voltei a saber de você a não ser nas lembranças,
Passaram-se meses, anos, agora homem então.
Fiz poemas suspirando sentimentalidades constantemente
Até papel amassado dava poema,
Até papel amassado dava poema,
Conto
Publicado em 1972
Wilson
Costa

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