Poetizar

De Opium E Jasmim

De Opium E Jasmim
Um mundo de poesias

domingo, 18 de setembro de 2016



Seguir ao longo do tempo,
Para bem distante, longe do que não nos serve,
Enquanto o poente se estende entre nuvens laranjas
Já houve tempos de estradas ermas, de ruas ermas, de vida erma,
Escrevo agora preenchido de mim,
Passo o dedo na vidraça e o ar embaçado do frio escorre
As palavras colam na parede, gritam, falam, cantam gemem
A minha língua experimenta o crepúsculo,
Saboreia o doce dos amores, pão com manteiga
Café com açúcar com cedilha, o sal das dores
Se os olhos falham a alma vê
Você desliza furtiva entre as frases,
Elabora forma de se ocultar, em vão,
Pode até ser interjeição, ponto e virgula ou interrogação,
 Sei por que você se esconde de mim,
Sei mais, ajudo-a a se camuflar no meu peito,
Dor sem graça, sem méritos, cúmplice, covarde
Que se enrodilha ao redor da casa e fica gotejando no telhado
E eu penso que na verdade o tempo tudo haverá de resolver,
Há de me fazer parar de roçar a minha barba
Nas miragens das suas espáduas,

De te seguir em cada um dos poentes que se estende no céu


Wilson Costa

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