Agradeço o acolhimento, mas a
estrada me chama,
Já padeci de tantos fins
Já fui tantas folhas caídas,
Já recolhi tantas almas
penadas,
Há algo estranho num estranho?
Só quando o coração é de
pedra,
O amor ricocheteia, a alma pinga
Faz tempos que eu não sei
sobre o amor,
Ele já não passa livre, como
antes,
Com sua alegria retumbante
Seus ares de bom moço,
Perdeu as asas, e o canto
amigo, ficou sem graça
Quando vira saudades vai
impregnado nas paredes da gente
Dentro, deve estar escondido
em algum canto escuro de mim
Você conta as minhas saudades
no olho,
Você deve saber a quem eu
procuro,
Saudades eu não as nomeio,
Vivi com certeza uma vida
alegre com você em algum lugar,
Tudo é relembrado com relances,
Tudo é relembrado com relances,
Você cresceu comigo, perdeu
as penas nas correrias da vida,
Em algum shopping, algum
supermercado,
Com preço marcado e
etiquetado com códigos de barras,
Eu dormi com você – seu corpo
se tornou não apenas seu,
E nem nunca mais me deixou em
paz
Assim caminho, a estrada é
longa, sem delongas me despeço
A vida é assim mesmo, eu já
fui tantas coisas,
Já fui vinda e já fui partida
Chegada e despedidas,
Já padeci de tantos fins
Hoje sou recomeço
Wilson Costa

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